Você passou a vida comprando tênis. Mas ninguém te contou que dava para aprender a fazer tênis artesanal
- Alexander Iesu

- há 2 dias
- 5 min de leitura

Provavelmente você aprendeu muito sobre tênis sem nunca perceber.
Aprendeu marcas.
Modelos.
Cores.
Lançamentos.
Descobriu qual fica melhor no seu pé, qual combina com seu estilo e talvez até consiga reconhecer uma silhueta só de olhar.
Mas existe uma coisa que quase ninguém nos ensinou a perguntar:
E se, em vez de escolher o próximo tênis, eu aprendesse a fazer um?
Pode parecer uma pergunta estranha.
E é justamente aí que começa essa história.
Durante anos, tênis significou uma coisa: comprar

Quando olhamos para um tênis pronto em uma vitrine, é difícil imaginar tudo o que existia antes dele.
Vemos o objeto final.
Não vemos o molde.
Não vemos as peças separadas.
Não vemos o couro sendo cortado.
Não vemos o forro.
Não vemos a estrutura sendo formada.
Não vemos o cabedal tomando forma.
Não vemos a montagem.
Muito menos pensamos na pessoa que poderia estar por trás desse processo.
A indústria fez tão bem o trabalho de transformar o tênis em produto que nos acostumamos a enxergá-lo apenas dessa maneira.
Gostou?
Compra.
Não gostou?
Procura outro.
Durante muito tempo eu também olhei para tênis assim.
Até descobrir que existia outro lado.
Um tênis também pode começar em uma bancada
Aluno TDZ na bancada com Moldes e materiais para fazer Tênis Alexander Iesu colando solado Alexander Iesu preparando cabedal para ser colado
Antes de existir um par pronto, existe uma sequência de decisões.
Material.
Molde.
Corte.
Costura.
Estrutura.
Forma.
Montagem.
Solado.
Acabamento.
Quando você vê essas partes separadas pela primeira vez, acontece algo curioso.
O tênis deixa de parecer um objeto que simplesmente apareceu pronto.
Você começa a entender sua construção.
É parecido com entrar na cozinha de um restaurante depois de passar a vida inteira conhecendo apenas o prato servido na mesa.
O resultado continua impressionando.
Mas agora você sabe que existe um processo por trás dele.
E processos podem ser aprendidos.
Fazer tênis artesanal não é pintar um tênis pronto
Esse é um ponto importante.
Quando falo em aprender a fazer tênis artesanal, não estou falando simplesmente em pegar um tênis industrializado e modificar sua aparência.
Customização é um universo interessante e também criativo.
Mas aqui estamos falando de outra coisa.
Estamos falando de começar com os componentes separados e construir o tênis.
Cabedal sendo furando para ser costurado Tênis Artesanal na bancada com algumas ferramentas
Você escolhe o material.
Corta as partes.
Prepara o cabedal.
Costura.
Trabalha a estrutura sobre uma forma.
Monta.
Prepara a base.
Cola o solado.

Faz o acabamento.
Até que aquelas peças que estavam espalhadas sobre a bancada se transformem em algo que você pode colocar nos pés.
Esse momento muda bastante a relação de alguém com um tênis.
Porque agora existe uma frase que antes não existia:
“Fui eu que fiz.”
Mas eu nunca costurei. Ainda assim dá para aprender?

Essa talvez seja uma das primeiras barreiras.
Quando alguém vê um tênis artesanal pronto, normalmente compara o resultado final com aquilo que sabe fazer hoje.
E parece existir uma distância enorme entre os dois.
Só que ninguém começa pelo resultado final.
Você começa entendendo ferramentas, materiais e etapas.
Depois aprende um processo.
Executa.
Erra algumas coisas.
Corrige.
Repete.
Começa a perceber detalhes que antes nem enxergava.
É exatamente como acontece em outras atividades manuais.
Ninguém segura um instrumento musical pela primeira vez esperando tocar como alguém que pratica há anos.
Ninguém entra numa cozinha sem experiência esperando dominar todas as técnicas no primeiro prato.
Com o tênis artesanal não existe mágica diferente.
É possível aprender, mas existe processo, orientação e prática.
É justamente essa parte que muitas pessoas nunca descobriram.
Elas não decidiram que não conseguiriam fazer.
Simplesmente nunca souberam que poderiam aprender.
Você também não precisa começar criando um modelo do zero
Existe outra confusão comum.
Aprender a fazer tênis não significa que sua primeira tarefa será desenhar uma silhueta inédita, desenvolver uma forma exclusiva, criar moldes e resolver sozinho cada detalhe técnico.
Primeiro você precisa aprender a linguagem.
Entender o que cada componente faz.
O que muda quando um material muda.
Por que uma peça tem determinado formato.
Como o tênis ganha volume.
Como o cabedal se comporta sobre a forma.
Como o solado encontra aquela construção.
Com repertório, novas possibilidades aparecem.
É depois de aprender a construir que você começa a enxergar melhor aquilo que pode criar.
E talvez essa seja uma das partes mais interessantes desse ofício.
No início você olha para um tênis e vê um tênis.
Depois começa a olhar e enxergar decisões.
Foi assim que esse universo se abriu para mim
Eu sou artista plástico.
Minha entrada nesse universo não aconteceu porque eu tivesse crescido em uma fábrica de calçados ou porque viesse de uma família tradicional da área.
A curiosidade veio primeiro.
Depois pesquisa.
Experimentação.
Erros.

Materiais espalhados pela bancada.
Testes que davam certo.
Outros que precisavam ser refeitos.
E cada nova resposta trazia outra pergunta.
Em algum momento, aquilo deixou de ser apenas a tentativa de fazer um tênis.
Começou a existir um processo.
Mais tarde, esse conhecimento seria organizado no Método TDZ, Tênis do Zero.
Mas o que veio antes do método foi exatamente aquilo que talvez esteja acontecendo com você agora:
a descoberta de que esse universo existe.
Depois que você descobre, começa a olhar para tênis de outro jeito
Uma costura que antes passaria despercebida começa a chamar atenção.
Você observa o material.
Olha a lateral.
O desenho das peças.
O solado.
A construção.
O acabamento.
Começa a imaginar como aquilo foi feito.
E existe uma mudança ainda maior.
Você deixa de pensar somente:
“Qual tênis eu gostaria de comprar?”
E surge outra pergunta:
“Que tênis eu gostaria de criar?”
São duas relações completamente diferentes com o mesmo objeto.
Uma começa na vitrine.
A outra começa na possibilidade.
Existe um universo inteiro por trás dessa descoberta
Fora do Brasil, termos como sneaker making, shoemaking e bespoke sneakers ajudam a revelar um cenário de artesãos, designers, oficinas e criadores que trabalham com construção manual, pequenas produções e peças feitas para clientes específicos.
Aqui, muita gente ainda encontra esse universo quase por acidente.
Talvez por isso a reação que mais me interessa não seja:
“Que tênis bonito.”
É outra.
“Eu não sabia que dava para fazer isso.”
Porque depois dessa frase vem uma pergunta.
E perguntas abrem portas.
Então, como aprender a fazer tênis artesanal?
O começo não é comprar todas as máquinas que você encontra.
Também não é tentar inventar tudo sozinho.
O primeiro passo é entender a construção de um tênis e aprender uma sequência que permita sair das peças separadas até chegar ao primeiro par pronto.
Foi justamente para organizar esse caminho que eu criei o Método TDZ, Tênis do Zero.
Mas antes de decidir aprender, existe uma descoberta ainda mais importante:
saber que essa possibilidade existe.
Talvez você tenha chegado a esta matéria procurando como fazer tênis artesanal.
Ou talvez nunca tivesse pensado nisso até alguns minutos atrás.
De qualquer maneira, seu próximo tênis agora pode representar duas perguntas.
Qual eu compro?
ou
Qual eu quero aprender a fazer?
No próximo artigo do Blog TDZ, vamos entrar em um universo que ainda é pouco conhecido por aqui:
Bespoke sneakers: os tênis feitos de maneira artesanal, autoral e muitas vezes para uma única pessoa.
Talvez você descubra que essa história é muito maior do que imaginava.



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